O Ken Parker de ontem ainda é uma das melhores HQs de hoje

Dácio Fernandes 11 de agosto de 2011 1
O Ken Parker de ontem ainda é uma das melhores HQs de hoje

 

Tomo emprestado o título de um texto de Sidney Gusman, do Universo HQ, para falar de um dos personagens de ficção que me marcou muito: Ken Parker. Ontem, numa banca, vi uma pessoa folheando uma revista TEX e me lembrei dos meus tempos de colecionador. Coleção essa que (acho) ainda existe aos pedaços com algum de meus irmãos.

Sempre li TEX, mas uma revista do “Rifle Comprido” caiu em minhas mãos por acaso e causou aquilo que toda obra, seja livro, filme, revista, seriado, deseja: te prender (literalmente)!!!

A história do cara sem memória, perdido entre os indíos, com flashbacks que na época eu não ainda não havia visto. A velha revista em quadrinhos transformada em “obra literária”. Referências sutis que só fui entender mais tarde; referências à histórias biblícas, Moby Dick e outros clássicos.

Fui conseguindo aos poucos montar um quebra cabeça a partir da revista que caiu em minhas mãos. Nessa edição a estória já ia pela metade. Entender e acompanhar como um simples fazendeiro se transforma num herói de carne e osso foi sensacional. Eu particularmente não tinha a cultura de sequência que existe nos “arcos” das HQs atuais e das super séries da TV. No máximo um “continua” que finalizava alguns dos seriados que eu assistia na época.

Mas fica aqui uma pergunta que intriga a todos: por que uma obra tão bem acabada e escrita, não faz sucesso? Por que fica restrita e se transforma em cult ?

Traços magníficos de Ivo Milazzo e estórias extremamente bem roteirizadas por Giancarlo Berardi, tramas bem amarradas e uma estória conduzida episódio a episódio, que foi lançada em 1978 e infelizmente até hoje não finalizada, apesar de sempre existirem boatos de que os autores preparam uma pequena série final para o personagem.

Bem, para quem adora Faroeste e não conhece, aqui vai um pouco de Ken Parker (Rifle Comprido, seu apelido por causa do inseparável e arcaico fuzil Kentucky que carregava consigo) e procure num sebo e compre uma só revista. Aposto que será a primeira de muitas!

 

 

 

Um comentário »

  1. vane walter 3 de fevereiro de 2012 em 20:34 - Reply

    Parabéns pelo texto, sensacional! Ele exprime tudo aquilo que penso sobre este extraordinário personagem. Descobri por acaso ken parker em uma pilha de revistas tex em um sebo em BH, me chamou atenção primeiro pelo traço que achei a primeira vista bacana demais, depois li o enredo e aí meu amigo, aquilo bateu de primeira, foi paixão á primeira leitura. Consegui posteriormente arrematar a coleção quase completa da Vecchi e hoje me sinto um privilegiado por dispor de uma obra de tanta qualidade. Gostaria que mais pessoas tivessem acesso as estórias de ken parker. Nada fica a dever aos melhores livros que eu li. Obrigado pela oportunidade de expressar minha opinião.

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